Como organizar a viagem perfeita de formatura.
Viajar com amigos no final do Ensino Médio pode ser uma ótima pausa em um momento de estresse. Veja dicas para que tudo dê certo
Nathalia Ilovatte, iG São Paulo | 02/08/2011 08:00
· Você trocaria seu olfato pela tecnologia?
Em meio às preocupações sobre a escolha da carreira e às pilhas de livros e apostilas com a matéria do vestibular, um oásis: a viagem de formatura, uma parada de uma semana na rotina de pré-vestibulando para respirar novos ares e se divertir com os amigos.
Além de uma pausa para relaxar em um período de estresse, a viagem é uma justa despedida dos amigos que fizeram parte do dia-a-dia uns dos outros durante anos. Por isso, ela precisa ser planejada e organizada com antecedência e cuidado para que aquilo que deve ser um momento de diversão e alegria não se torne motivo de aborrecimentos.
A estudante Caroline Moura, do terceiro ano do Colégio COC Novomundo, começou a organizar a viagem para Porto Seguro, na Bahia, em novembro de 2010. “Tivemos uma reunião com a empresa de viagens de formatura e levamos uma carta de apresentação aos pais. Depois, eles marcaram uma reunião com a empresa e acertaram os detalhes”, conta a estudante, que não chegou a procurar outras empresas. “Os formandos dos outros anos viajaram com a mesma agência e voltaram contando que foi muito bom. Nunca ouvi ninguém falar mal”, explica.
Para a advogada Mariana Alves, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – Idec, ouvir a opinião de quem já viajou pela agência antes de fechar contrato é uma boa ideia. “Escolha uma empresa que já tenha trabalhado com a escola antes e que não tenha apresentado problemas. Peça indicação a quem já foi”, aconselha.
Mas, para a advogada, referências de amigos não bastam. “É importante fazer uma pesquisa de mercado, escolher algumas empresas e verificar se são registradas na Embratur e se há reclamações na Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor – Procon”, recomenda.
Quando começar
Por isso, a recomendação de Leonel Rossi Jr., diretor da Associação Brasileira de Agências de Viagens – ABAV, é que os alunos não deixem para cuidar do assunto na última hora. “Não existe um prazo estabelecido, mas vale lembrar que para viagens em grupo ou de estudantes, o interessante é ser contratado o pacote com no mínimo um ano de antecedência”, diz. Ou seja, se o contrato deve ser fechado um ano antes da viagem, a pesquisa de mercado deve começar mais de doze meses antes da formatura.
Decidida a agência de viagens, é hora de analisar o contrato. “Leia atentamente e leve para um adulto, professor ou pai”, recomenda Mariana. E, caso haja alguma cláusula que desagrade aos pais, ainda é possível propor uma alteração. “Tente conversar. Se a agência não estiver aberta a negociações, é melhor procurar outra”, indica.
Precisa de comissão de formatura?
Caso o grupo de alunos dispostos a viajar seja muito grande, é melhor que todos façam uma votação e escolham alguns representantes para compor a comissão de formatura, que negociará com a agência e repassará todas as informações aos demais formandos. Mas, se a quantidade de interessados for pequena, todos podem – e devem - interferir diretamente nas decisões. “Todos os pais queriam participar e todos os alunos que viajaram foram às reuniões”, conta Rafael Zancan, de 18 anos, que viajou com os amigos de classe do COC em 2010 para Porto Seguro e adorou. “Foi até melhor do que o esperado. Você conhece muita gente e sai de lá com vários amigos”, afirma.
Pela pouca quantidade de alunos interessados, os formandos do COC optaram por não eleger uma comissão de formatura
Com o contrato assinado
Depois de escolhida a empresa e fechado o contrato, é importante reunir todas as informações sobre a viagem. “Guarde todos os informativos, folders, contratos e recibos para exigir todos os serviços contratados”, aconselha Mariana Alves.
Guardar todos os folders de festas, contratos e comprovantes é fundamental para exigir que a agência cumpra o que prometeu
Poucos meses antes da viagem, a ansiedade dos estudantes aumenta e os preparativos também. “Já comprei algumas coisinhas, como vestido e shorts, mas estou esperando o calor para comprar biquíni”, diz a entusiasmada Caroline, que viaja no final de setembro. “Só falta agora a agência passar pra gente as informações sobre o kit balada, que tem os convites para algumas festas”, diz a formanda.
Mas, mesmo com uma mala para arrumar, vale achar um tempinho para contatar o hotel e a companhia aérea contratados. “Um pouco antes da viagem é bom ligar para se certificar de que a agência pagou as empresas e deixar o contato de alguém da turma para elas retornarem caso haja algum problema”, indica a advogada.
Se algo der errado
Se mesmo com todos esses cuidados algo não sair como planejado, os alunos insatisfeitos têm a quem recorrer. “O primeiro passo é tentar uma solução amigável, entrar em contato com a agência e dar um prazo para a devolução do dinheiro”, diz Mariana. “O Procon é a segunda opção, pois tenta fazer uma intermediação entre as duas partes para encontrar uma solução para o problema. Mas, se nada disso resolver, a questão precisará ser levada à justiça, que é um pouco mais lenta”, afirma a especialista.
Ajuda financeira
As viagens de formatura para destinos nacionais costumam custar cerca de R$ 2 mil reais (por aluno), e embora esse valor possa ser parcelado, algumas famílias não têm recursos para arcar com esse custo. A solução, portanto, pode ser organizar festas e vender doces aos colegas do colégio para ajudar no orçamento da turma.
O estudante Leonardo Dessena, de 17 anos, está no terceiro ano do Colégio São Luiz, de São Paulo, e faz parte da comissão de eventos da turma. Ao longo do ano, ele e os amigos organizam campeonatos esportivos, churrascos, dias temáticos e outros eventos dentro do colégio cujo objetivo é arrecadar verba para os formandos.
Embora o objetivo da comissão de eventos seja ajudar a conseguir os R$ 8 mil de entrada que devem ser pagos à empresa contratada para organizar o baile dos alunos, as iniciativas valem como sugestão para as comissões que cuidam das viagens também. “A gente vende trufa às segundas e quartas, promove campeonatos de futsal e handebol e faz churrascos com guerra de bexigas”, conta Leonardo. “Estamos na metade do ano e já arrecadamos R$ 5 mil. É um valor bem alto”, comemora.
O dinheiro está guardado na casa de um dos alunos, mas eles estão pensando em abrir uma conta bancária para depositá-lo. E toda a movimentação do caixa é relatada aos demais alunos. “Todos os lucros e gastos a gente põe em uma planilha e mostra para a classe toda”, conta.
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